04Julho
2010

Casais e finanças

Fontes externas
  

Excesso ou falta de dinheiro são fatores que ocasionam discussão entre casais, que só começam a pensar na organização das finanças quando surgem os primeiros problemas com relação a esse tema. Enquanto tudo anda bem, dificilmente são analisadas as possibilidades de juntos, fazerem uma boa gestão do dinheiro da família. Porém, a organização das finanças entre casais traz inúmeras vantagens, entre elas a tranquilidade no relacionamento.

"Conversar sobre dinheiro é sempre bom, mas, muitas vezes, as pessoas não conseguem fazê-lo porque cada uma traz em si suas histórias aprendidas sobre isso e entrar num acordo se torna difícil", acredita a psicóloga e consultora Marisa Gabbardo. Ela conta que costuma ouvir frases relacionando o dinheiro a "um mal necessário", mas afirma que ele é um bem, que se torna mal somente quando não soubermos usá-lo adequadamente na concretização dos desejos.

A consultora aponta para os casais onde um é “gastador” e o outro “poupador”: para viverem bem, deverão definir alguns aspectos como acesso à conta, porcentagem a ser gasta e em quê, planejamento de uma sobra para o futuro entre outros pontos. “Trata-se de uma busca de equilíbrio na distribuição das finanças na família que atenda a equação das necessidades básicas, de consumo, luxos, presente e futuro."


FRESCOBOL OU TÊNIS?

Psicoterapeuta, Marisa percebe que os casais têm muitas dificuldades em entender como trabalhar em equipe "e eles não deixam de ser uma equipe", afirma. Ela usa a metáfora do frescobol e do tênis para incentivar a gestão financeira em família. O frescobol é caracterizado por não existir vencidos e nem vencedores, é praticado de forma cooperativa e o objetivo é jogar a bola na mão do parceiro. No tênis, o objetivo é derrotar o adversário.

“Muitos casais passam a vida jogando tênis, e não frescobol. Se entendessem que, trabalhando em equipe, ambos seriam beneficiados, mudariam sua forma de jogar, auferindo benefícios aos dois, define a psicóloga. É que reforça a análise do educador financeiro e autor do livro Vamos Falar de Dinheiro ? Conrado Navarro, que afirma: somente com o planejamento conjunto será possível realizar e alcançar metas comuns.

Conforme o educador, um casal pressupõe a comunhão de vida e interesses familiares, ou seja, objetivos comuns e metas a serem alcançadas com esforços e interesse de ambas as partes. Independentemente do uso de uma conta conjunta, que pode ou não ser uma boa opção, dependendo de cada família, os objetivos comuns precisam ser respeitados e planejar as finanças significa olhar para o futuro e trabalhar as condições familiares a fim de chegar lá”. Porém, Navarro, que também e fundador do site dinheirama.com ressalta que cada um deve manter sua individualidade e gastar parte com o que lhe "apetece, mas a discussão sobre o dinheiro para os planos familiares deve ser sempre considerada".

PRINCIPAIS PROBLEMAS OBSERVADOS NA RELAÇÃO CASAIS X FINANÇAS

Ausência de objetivos e metas comuns devidamente documentadas e traçadas: casais que vivem uma relação de comodidade, sem que as metas familiares sejam valorizadas e respeitadas. São os que vivem no "piloto automático". Trocam de carro, viajam, divertem-se, mas seu patrimônio não cresce, e os planos nunca são colocados em prática. São reativos e preferem, primeiro, notar o problema para depois decidir como resolvê-lo.

Falta de diálogo: a conversa sobre o dinheiro tarda a tomar a mesa de jantar e surge somente quando a situação já esta muito complicada. É comum a reação de culpar as circunstâncias e o outro pelos problemas, mantendo distância das decisões delicadas que deveriam ter sido tomadas quando ainda havia tempo. É importante que todas as situações sejam esclarecidas e compartilhadas, de modo que a participação do cônjuge se de em tempo hábil e de forma a sentir-se parte da família.

Individualidade financeira com mania de justiça: casais em que tudo e dividido 50% / 50%, os gastos são sempre controlados de forma individual, e o dinheiro para o comum é sempre questionado e muito justificado. Funciona até que a frustração pelo sentimento de solidão apareça e tome conta do casal, que chega à conclusão de que eles parecem bons amigos morando em uma "república".

Descontrole: é muito difícil sustentar uma família quando um dos integrantes é totalmente descontrolado em relação ao dinheiro. Logo, é vital que o controle financeiro seja feito pela pessoa mais apta e que o material seja gerenciado de forma a impor limites de gastos e previsões, a fim de evitar exageros e uso de limites e crédito adicional. Nesse caso, recomendamos que a família trabalhe também o aspecto comportamental, que colabora para a motivação necessária para diminuir os gastos e delimitar melhor o padrão de vida possível.

PRECAUÇÕES NA GESTÃO EM FAMÍLIA

O diálogo constante é necessário para que não haja mal-entendidos durante o gerenciamento das finanças familiares. Ele possibilitará traçar planos, metas e objetivos alcançáveis, definindo as responsabilidades de cada um. "Sabe-se que o grande motivador de crises conjugais é a falta de transparência em relação ao dinheiro e aos objetivos para os recursos administrados pelo responsável pelas finanças", comenta Navarro.

Para Marisa Gabbardo, é relevante prever nos cálculos do orçamento uma reserva para surpresas desagradáveis como perda de emprego, doenças, gastos extras em conserto de carro e eletrodomésticos, "pois um pouco de cautela não faz mal a ninguém". No planejamento, recursos como planilhas podem ser utilizados, para realizar projeções no papel dos gastos previstos ao longo do ano. Tendo como visualizar os cálculos, tudo fica mais simples e são evitadas "fantasias irreais que, em geral, versam sobre abundância e lá adiante encontram escassez", depõe a consultora.

Algumas perguntas devem ser respondidas antes da gestão do dinheiro: Quem poderá colaborar mais? Por quê? Como serão os pagamentos das despesas gerais do mês? Quem será o responsável por alimentar a planilha de orçamento? Qual é a regra para os investimentos?

TIPOS DE INVESTIMENTOS

Na hora de investir o dinheiro do casal, o administrador de empresas e especialista em educação financeira Álvaro Modernell recomenda que se mantenham duas alternativas: investimentos individuais para projetos pessoais, geralmente de curto prazo, e investimentos coletivos, quando o assunto é o patrimônio da família.

Os investimentos devem respeitar um equilíbrio entre o perfil de cada um. Casais conservadores devem seguir produtos desse gênero. "Se um for mais arrojado que o outro, devem ponderar e buscar uma alternativa moderada que não desagrade nenhum profundamente",orienta.

Um exemplo é possível: se o objetivo da família é formar uma aplicação para mais tarde utilizar nos estudos universitários do filho recém-nascido, ela poderá optar por produtos que tenham exposição maior a ativos de maior risco, já que o período de investimentos será bem longo e tal risco será diluído.

Outra questão importante é considerar o regime legal do casamento. Se o regime for comunhão de bens, o casal pode manter os investimentos conjuntos. "Mas se o regime for de separação de bens, os investimentos devem considerar a origem dos recursos e manter os investiments separados", explica Modernell. De acordo com o especialista, atualmente, com baixas taxas de juros e altos custos com tarifas de administração, o casal deve priorizar o uso da mesma instituição financeira, visando também à redução de custos operacionais. Nesse sentido, além dos profissionais graduados na área da saúde , seus dependentes legais (pais, cônjuge ou companheiro, filhos, dependentes legais e pensionistas) podem usufruir dos produtos e serviços da Unicred Porto Alegre ao se associarem à Cooperativa e concentrarem suas operações e investimentos.

 


Entrevista publicada na Revista da Unicred Porto Alegre (Ano 7, 3 de maio de 2010) concedida à jornalista  Cristina Cinara deste mesmo veículo com a participação de Marisa Gabbardo e Álvaro Modernell.

Por Cristina Cinara





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