Empréstimo consignado: quando vale a pena e quando evitar


O empréstimo consignado surge como solução prática para muitas famílias brasileiras que enfrentam o desafio de “sair do vermelho”. Com taxas mensais reduzidas entre 1,85% e 3%, ele se diferencia por ser debitado diretamente na folha de pagamento, ou seja, o risco de inadimplência diminui. No entanto, antes de recorrer a essa modalidade, é essencial planejar bem e entender quando ela realmente vale a pena. Afinal, apesar das vantagens, o empréstimo pode piorar a situação de quem vive com o orçamento apertado.

Quando o empréstimo consignado vale a pena?

Especialistas recomendam o consignado principalmente para quitar dívidas caras, como cheque especial ou rotativo do cartão de crédito. Essas modalidades possuem juros abusivos que podem ultrapassar os 100% ao ano. Utilizar o consignado para substituir essas dívidas é uma forma inteligente de reduzir custos com juros e organizar as finanças.

Um exemplo prático: imagine alguém com uma dívida rotativa de R$15 mil no cartão de crédito, acumulando juros de 6% ao mês. Ao migrar para um consignado com taxa de 2,5% ao mês e parcelas fixas, essa pessoa consegue reduzir drasticamente o peso financeiro. Além disso, com débitos previsíveis, fica mais fácil planejar o orçamento a médio e longo prazo.

Quem pode se beneficiar mais dessa modalidade?

A modalidade é frequentemente indicada para aposentados do INSS e trabalhadores com carteira assinada (CLT). As condições oferecidas para aposentados incluem taxas menores, com teto de 1,85% ao mês a partir de 2025, e prazos de pagamento que podem chegar a 96 meses. Além disso, mesmo negativados conseguem aprovação, pois o pagamento é garantido pelo benefício.

  • Para aposentados: Ideal para quem quer renegociar dívidas caras ou cobrir despesas emergenciais.
  • Para trabalhadores CLT: Útil para imprevistos quando as demais opções de crédito pessoal têm juros muito elevados.

Segundo uma economista vinculada à B3, o uso estratégico do consignado pode ser uma ferramenta eficiente para construir estabilidade financeira. “É uma alternativa segura, desde que o trabalhador ou aposentado tenha planejamento robusto para sustentar os descontos na folha”, afirma.

História real: como o consignado mudou vidas

O caso do João, um trabalhador de Curitiba, mostra bem como o consignado pode ser um divisor de águas. Ele acumulava R$15 mil em dívidas rotativas de cartão, com juros de cerca de 300% ao ano. Ao optar por um consignado de 2,5% ao mês, conseguiu organizar o pagamento em parcelas de R$800, liberando R$1.200 do salário para outras despesas.

A mudança foi significativa: após 24 meses, João não só saiu do vermelho como conseguiu criar uma reserva financeira mensal de R$500.

Outro exemplo inspirador é o da Dona Maria, aposentada pelo INSS, que estava com o nome negativado. Ela contratou um empréstimo consignado de R$20 mil com juros de 1,85% ao mês para quitar o cheque especial. Hoje, Dona Maria consegue economizar parte do benefício e até realiza pequenas viagens com tranquilidade.

Riscos: quando evitar o consignado

Apesar das vantagens, o empréstimo consignado pode ser um problema em situações específicas. Um dos principais riscos é a redução da renda líquida, algo impactante para famílias cuja margem orçamentária já é apertada. Nos lares brasileiros, despesas fixas como aluguel, luz e supermercado são prioridade, e o desconto automático pode comprometer essas contas.

  • Salário baixo: Para quem não tem flexibilidade financeira, o comprometimento de até 45% da renda com consignado e cartão consignado pode ser insustentável.
  • Demissões: Trabalhadores CLT desempregados podem ver as parcelas descontadas do FGTS ou das rescisórias.

Além disso, a facilidade de contratar o consignado pode levar ao superendividamento, especialmente se utilizado sem um planejamento adequado. Quem já está acostumado a fazer o dinheiro “render” sabe que compromissos financeiros com prazo longo exigem disciplina e organização.

Como planejar antes de contratar?

Planejamento é chave para usar o consignado de forma positiva. Antes de contratar, especialistas sugerem refletir sobre as seguintes questões:

  1. Qual o impacto do desconto automático no meu orçamento mensal?
  2. A dívida que quero quitar possui juros maiores que o consignado?
  3. Minha situação financeira permite comprometer até 30% da renda?

Uma prática essencial é simular os valores antes de tomar a decisão. Ferramentas como o app GuiaBolso ou simuladores do gov.br ajudam a projetar o impacto das parcelas no orçamento.

Além disso, especialistas recomendam reservar de 3 a 6 meses de despesas antes de pegar crédito. Isso dá mais segurança e previne que toda a renda seja consumida por imprevistos ou urgências.

Portabilidade e oportunidades no Brasil

A portabilidade de crédito é outra estratégia inteligente. Ela permite migrar dívidas para o consignado, reduzindo os custos totais com juros. No entanto, é essencial calcular não apenas a taxa mensal, mas também os juros acumulados no longo prazo.

No mercado brasileiro, bancos como Banco do Brasil, Caixa e fintechs como Nubank e Inter já oferecem plataformas digitais integradas para contratação e simulação de consignados. Em 2026, espera-se ainda mais digitalização, facilitando o acesso por apps como CTPS Digital.

Esse avanço também beneficia aqueles que buscam previsibilidade: as parcelas fixas do consignado garantem um planejamento mais eficiente no orçamento doméstico.

Vídeo educativo sobre empréstimo consignado

Tendências e análises para 2026

As tendências do mercado de crédito brasileiro mostram maior integração tecnológica nos próximos anos. Plataformas como Pix e aplicativos de orçamento móvel se consolidam como ferramentas indispensáveis para gestão financeira. Além disso, com juros do INSS ficando abaixo dos consignados CLT, aposentados devem manter protagonismo na modalidade.

  • Consignado INSS: Juros reduzidos, alternativas para negativados e prazos mais longos.
  • Consignado CLT: Ideal para emergências sem reserva, especialmente quando taxas forem inferiores às pessoais.

Ainda assim, o segredo está na educação financeira. Investir tempo na organização e na análise do impacto financeiro evita que o consignado se torne um passo para endividamento e, ao invés disso, seja um recurso para construir um patrimônio sólido.

Realizar simulações e organizar o orçamento são passos essenciais antes da contratação. Afinal, entender o efeito do desconto mensal garante decisões com mais tranquilidade e segurança.

Para quem quer melhorar a relação com o dinheiro, observar literalmente “de onde saem e para onde vão as contas” pode ser libertador.

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